terça-feira, 19 de junho de 2018

P



É ano eleitoral. E, em muitos, como este, normal o tenso clima que esse instaura: rivalidades que se acirram, ideologias que se afloram e nervos que emergem a flor da pele.
Ainda que diante da usual tensão que se instaura, por esse motivo, confesso que o clima atual se apresenta em tons mais delicados que o de eleições anteriores: não digo que se apresenta em cores mais vivas, mas sim como ilusão de ótica, com democracia onde esta não existe, justiça à qual não é praticada, salvador sem haver nenhum e mito de carreira que beira à nulidade, tamanha sua irrelevância, falta de importância e também participação na cena política nacional.
Há uma máxima que nos traz mensagem com conteúdo próximo de “se mantém um povo controlado lhe oferecendo saúde, educação e segurança”. Como já vimos e é fácil comprovar, o modelo neoliberal é total afronta a tudo isso, pois a rede pública de saúde se arrasta decrépita e sem mínimos incentivos, a segurança pública parece piada e a educação só é lembrada em discursos, promessas e manifestações.
Caso da saúde é delicado, já que há um claro interesse, mantido nos bastidores, de privatizá-la e unificar todo o sistema de saúde como rede particular. Para tanto, o Estado literalmente boicota os recursos que oferece para, assim, despertar o discurso cristalizado presente na mentalidade do povo, que jamais parou pra pensar e nem avaliou as consequências e nem benefícios de uma privatização. População tem em mente que o sistema privado é eficiente e o público não, mas isso, muito por questão de gestão e, principalmente, (má) gestão da rede pública – deixada na mão de “cobras” do sistema particular que, pra não comprometer seus rendimentos e lucros particulares, delimita potencial do que pode ser oferecido sem custos.
Em se tratando de segurança, o caso é grave e acaba por dialogar muito com a educação. O retomaremos depois.
Educação é uma histórica pedra no sapato do brasileiro.
Inicialmente regida pelos portugueses, através dos padres da Companhia de Jesus, mais conhecidos como jesuítas, objetivavam, antes de tudo, converter o nativo ao cristianismo e ensiná-lo a falar português, num processo de “civilizar” o indígena, tirando-o da condição de “selvagem” e assim, igualmente, facilitar a colonização da terra brasilis[1] pelo português que, “superior” ao nativo, os submeteriam às suas vontades.
Este processo, que se inicia em 1549, estabelece, logo de cara, contexto de dominadores e dominados, deixando clara também a falta de interesse dos governantes com a formação dos cidadãos.
Isso, hoje, se torna mais claro ainda se compararmos os valores que o governo destina à educação e à segurança[2]. Poderia ser diferente, claro, pois se se educa uma criança, pode se evitar a formação de um bandido. Mas como nossos representantes não sabem, ou fazem vista grossa disso, continuamos em meio a um bacanal sem fim das verbas públicas.
Válido citar que um presidiário custa muito mais ao estado que um estudante. O salário de professor, com um cargo, no estado de Minas Gerais é de R$2019,00 enquanto a remuneração de um soldado é de R$ 4560,00 e com chances a subir de postos na hierarquia. Importante frisar também que, os segundos não seriam atingidos pela reforma da previdência, ao contrário dos primeiros. Logo, se aposentam com muito menos tempo de serviço e com um cargo acima do que exercia. Já os docentes, que detêm miserável plano de carreira, são cada vez mais exigidos, têm trabalho cada vez mais burocrático (com o deveras importante deixado a segundo plano), condições de trabalho que só pioram, e, pra petecar de vez a situação, em grande parte, apoiam e votarão, na próxima eleição, justamente em quem, direta ou indiretamente, lhes retirou todo o plano de carreira (parcialmente restabelecido depois – e não por ele), instaurou a caótica Lei 100 e fez parte dos mais de 8 anos sem reajuste de salários pros servidores da educação.
Este é o Brasil, com P de País, que é o mesmo P de Piada, de um P dum Povo que Parece Procurar a PQP, em meio a seu inquebrantável acômodo de Procrastinar sem fim e assim se tornam eternos Perdedores no correr da vida. Podem se achar muito imPortantes, mas em contexto mundial, com toda esta Podridão a rolar, uns com camisa da CBF se julgando os maiorais Patriotas, mas mundialmente estampados como destaque nos noticiários e Primeiras Páginas dos jornais, com manchetes claras, trazendo em suas entrelinhas a única maneira como todo o restante do mundo os vê: como literais Palhaços, nada mais e nem além disso, pelo fato de terem Protagonizado, como atores sociais, o levante que atola o Brasil numa Pobreza cada vez mais Profunda e, ainda assim, continuam a se julgar os maiorais por Pensarem (?) o Problema do país se limitar única e exclusivamente num único Partido, e reagirem com normalidade diante um helicóptero com quase meia tonelada de Pasta base de cocaína – e a seletividade vêm à tona, pois aquilo que meu grupo e meus defensores fazem, não é errado; em contrapartida, quanto aos opositores, já erram até com o que lhes passa em mente (e mais ainda o que falam e fazem).
 
julianø 15/06/2018 12:53


[1] Termo utilizado para denominar o Brasil no período da colonização.
[2] No estado de Minas Gerais, por exemplo, como noticiado pelo jornal O Tempo em 2016, um aluno gerava um custo médio, anual de R$4400,00 (cerca de R$336,00 por mês), enquanto um menor infrator custa cerca de R$96000,00 – isso mesmo, 96 mil reais por ano – (média de R$8000,00 por mês), ou seja, um menor infrator custa ao estado cerca de 21 vezes mais que um estudante. Quanto à União, em 2011, segundo o FatosDesconhecidos, um aluno de curso superior custa, em média R$ 21000,00 por ano (R$1750,00 por mês), enquanto um presidiário, R$40000,00 por ano (média superior a R$3300,00 por mês).

terça-feira, 12 de junho de 2018

O surto



Consultando lembranças e memórias, me recordo que, a não muitos anos atrás, pessoas berreirentas e escandalosas, era feio. Era vergonhoso, até mesmo vexatório, os chamados barracos. Em contrapartida, hoje, num extremo oposto, se não for pra causar em nem saio, com pessoas saindo já com a literal intenção de chamar a atenção, aonde quer que se vá e sem medir ou se importar com quaisquer consequências que isso possa gerar.
Em tempos que respeito é algo invariavelmente a ser exigido e quase nunca a ser praticado, equilíbrio é o que parece nunca existir nas pessoas, sociedade, relações humanas.
Quebra da Bolsa de Nova York, 1929
É inegável que vivemos tempos complicados, mas isso pode soar um tanto quanto retórico, pois, que período não tem dificuldades?, que época foi fácil?, será que tenha existido alguma que o tenha sido? Provável que não, mas nos ciclos da história, certo por existirem momentos mais conturbados que outros, seja por guerras, crises, declínios e quedas.
A atualidade tem como marca registrada, a sociedade doente, repleta de neuras, traumas e distúrbios psíquicos, psicóticos e psicológicos, principalmente, o que pode ser comprovado com os altíssimos índices de depressão e suicídio, por exemplo.
A partir de levantamentos de dados e estudos, é comprovável que isso não é uma constante no processo histórico, mas que tem os seus surtos por motivos e causas um tanto quanto justificáveis, ainda que presentes só mesmo no plano de fundo de momentos vividos.
Vem em mente a memorável frase: mens sana in corpore sano – mente sã, corpo são –, o que, se fizermos uma análise mais profunda, veremos que, os males, mesmo os patológicos, não se originam, primordialmente, de uma patologia, de fato, mas sim do psicológico; momentos de tristeza, agonia, angústia, baixa estima e outros. Quando bem, psicologicamente e em bom estado de espírito, doenças e males não nos afetam, mas a partir de momento em que há uma queda ou baixa no nível destes, é como se o imunológico se vulnerabilizasse, nos deixando frágeis diante tudo e todos.
Resultado disso? Insônia, irritações, crises existenciais infindáveis, síndrome do pânico... e entre outros mais, a própria depressão já citada.
Grande complicador disso tudo é que, valores, paradigmas e similares, por mais que ditos e lembrados, na prática, pouco utilizados. Soma mais pontos ainda o individualismo das pessoas, que querem de um tudo o que os possa favorecer, mas a si somente e (quase) nunca ao outro. Querem porque querem, sem seguir a nenhum princípio nem obedecer a nenhuma normatização.
No contraponto disso, não equivocado dizer que hoje há um excesso de normas, pois onde quer que se vá, se tem suas regras a serem seguidas; moral e ética cumprem papel quase exclusivamente normatizadores, e, abro parêntese: ética, praticamente ninguém sabe o que é, mas todos gostam de ouvir. Assim sendo, a ética se transformou num mero bibelô pra enfeitar discursos e torná-los mais bonitos e mais atrativos, utilizada, quase sempre, de forma errônea e completamente impraticável, proferida na maioria dos casos por pessoas que julgam ser éticas, quase nunca o sendo.
Voltemos ao individualismo: este torna as pessoas muito obsessivas. Não bastassem obsessivas, igualmente compulsivas, impulsivas e pouco consequentes de seus atos. Torna as pessoas também muito egoístas, o que direta ou indiretamente as faz sozinhas, não pela situação em si, mas por escolha, porque assim decidem diante as opções possíveis que se tinha à disposição.
Assim o tornam porque, em sua mentalidade vazia, julgam ser a melhor opção. As pessoas se afastam umas das outras, vivem e giram no eixo do próprio umbigo, perdem a sensibilidade parecem encarrar como distante males que, inclusive, as atormenta. No outro extremo, hipocondríacos que dizem ter todos os males do mundo e outros mais.
Sem entrar em muitos detalhes e nem muito aprofundar, mas eis um resumido abordar, de um trágico retrato, estampado em cores sem vida, horripilante, e que nos causa calafrios, mas que está e permanece pendurado na parede da sala de nossas casas, justamente no local de maior visibilidade e parece querer retratar, ainda que superficialmente, uma geração de copos cheios e cabeças vazias – parece não, é!, mas nós, que o vemos, não aceitamos e o negaremos enquanto for possível, pois nada nos é capaz de convencer que, não somos os melhores, não somos os mais importantes e nem os mais belos, ao contrário do que pensamos, dizemos e juramos, e, nossa racionalidade, como capacidade única, precisa voltar a ser utilizada para útil fim: quem sabe assim a chance de nossa espécie fazer algo realmente proveitoso?
Idealismo? Sim. Sonho? Claro, por que não? Utopia? Também! Mas quem não vive e nem consegue viver sem tais?

julianø 09/06/2018 14:42

terça-feira, 5 de junho de 2018

1920: a década que não terminou



Getúlio Vargas
Em se tratando de História do Brasil, um dos temas mais abordados é a Era Vargas, 1930 – 1945, justamente por ser um assunto que mais chame a atenção e, por vários motivos, bom lembrar que tudo isso não desencadeou sem motivos, o que nos remete ao período anterior, da Primeira República e peço atenção especial à década de 1920.
Iniciado com um golpe de estado, período republicano brasileiro tem seu pontapé inicial com a proclamação em 15 de novembro de 1889. Dividido em duas partes principais, tem sua primeira denominada de República da Espada, pelos governantes militares, Marechal Deodoro[1] e Floriano Peixoto[2], no caso. A segunda parte, República das Oligarquias, Política dos Governadores ou República Café com Leite, em sua forma mais utilizada, se inicia com Prudente de Moraes[3] em
1894 e se finda com Washington Luís[4] em 1930.

Marechal Deodoro
Estas nomenclaturas se devem ao domínio das oligarquias – barões do café, por São Paulo e grandes criadores de gato, por Minas Gerais, de alta produção de leite, citados como “rei do gado” no sertanejo raiz –, e, das demais províncias, que em busca de terem suas vontades atendidas, se uniam a uma ou outra oligarquia, que diretamente manipulavam o processo eleitoral, tornando-o literalmente previsível, pois ganhavam o candidato que tinha de ganhar e, caso este não tivesse maioria dos votos, estes eram recontados e o resultado mudava – para tanto, votos eram queimado e outros, inclusive falecidos, eram registrados.
Voto de Cabresto
A década de 1920 foi um período muito movimentado. Não muito depois da guerra do Contestado[5], Cangaço de Lampião[6], Semana da Arte Moderna[7], Tenentismo[8], fundação do Partido Comunista[9] e fechamento do mesmo[10], além da questão musical, que dá primeiros passos no que veio a se destacar muito no decênio seguinte, são marcas registradas desta década, e de coisas que se mantém até hoje, mais ainda em Patos de Minas e muitas outras cidades, dos confins do interior mineiro.
Cartaz da Semana da Arte Moderna
Comecemos com a Oligarquia: política local é marcada pelo domínio de duas famílias, que duelam entre si e em situações, se unem para assegurar e perpetuar a dominação. Famílias detentoras de grandes propriedades de terra e tem também elevado número de funcionários, por estes somente, garantiriam a eleição de no mínimo um vereador na Câmara Municipal.
Não bastasse, fato é que a mídia da cidade é quase toda ligada a estes grupos, sem falar nas que são de literal propriedade destes. Como transmissora de informações e formadora de opiniões, temos uma mídia altamente irresponsável, pois historicamente falando, pouco se preocupa em dar a uma notícia seu real tamanho e sua devida abordagem: tende a distorcer muito os fatos, além de aumentar nuns pontos e inventar noutros, para que esta ganhe o teor que esteja de acordo com os interesses da emissora e do grupo político do qual faça parte ou ao que esteja ligado. Bom lembrar que notícias, fatos, acontecidos e acontecimentos, de relevante importância que passam completamente despercebidos aos olhos dos que as deveriam noticiar.
Se politicamente (através dos mandatos exercidos, perpetuados e passados de geração para geração), e ideologicamente (pela mídia), têm domínio igualmente econômico. Como já dito, detentores de terras e da mídia, pela política exercem sua autoridade em prol do benefício próprio, ainda que por meio do poder pelo poder, pouco importando o que ou como se faça, mas somente os resultados (favoráveis) alcançados nesta terra que se eterniza nas mãos de coronéis que agem, legislam, politicam, noticiam e falam, a bel prazer, em benefício próprio e nunca o contrário disso.
Por isso e muito mais, nomes são erguidos, de importância construída e perpetuados nos anais da história e memória popular. Para tanto, mitos são criados, e, para que estes mesmos sejam mantidos, indispensável que se façam seus opositores, ou aqueles que os ameace.
A personificação do poder em partidos, famílias, sobrenomes e seus representantes, é algo que se arrasta a tanto tempo que profundamente se cristalizou na mentalidade e costume da população, que parece nem se imaginar caso não dominada pelas figurinhas carimbadas destes grupos. Os que se colocam fora destes, principalmente os opositores, são precipitadamente demonizados, sem ao menos serem compreendidos ou tolerados.
Na década em que o Partido Comunista é fundado no Brasil, os falsos mitos do comunismo são inventados e eternizados no imaginário popular, como os de que comunista é tudo ateu (e por aqui, ateu e seguidor do demônio, é a mesma coisa, isso quando não são confundidos como a encarnação do próprio capeta em si e, numa sociedade tradicionalmente muito religiosa, podem imaginar o tamanho do problema que se é criado), comunista come a cabeça de criancinhas, vão pintar nossa bandeira de vermelho e mais um monte de asneiras – as mesmas que foram ditas em 1937, repetidas em 1964, e novamente faladas em 2016, coincidentemente, todas estas em véspera de golpes de Estado. Os dois últimos de resultados altamente desagradáveis para o país e igualmente o município.
Como podem perceber, a desinformação, somada à falta de interesse em se informar (por vias e meios de real procedência), é algo que reina por aqui sem ter sua Coroa jamais ameaçada. Qualquer que destoe do “tradicionalmente imposto” é cruelmente condenado pela opinião popular e qualquer que divirja ou opõe aos “dominadores”, é “comunista” – e dizem sem ter noção alguma do que é ser comunista, o que é o comunismo, suas bases, fundamentações e afins.
Assim o Partidão (como era popularmente conhecido o Partido Comunista em época) foi tornado ilegal no país, vimos que por aqui, comunista não passa de uma ofensa barata proferida, quase na totalidade dos casos, por quem não tem a mínima noção do termo e perfeitamente cumpre sua função como bonequinho de marionetes e eleitorado dos grupos coronelistas dominantes.
Até digo isso, pois a arte poderia ser um meio utilizado para libertar a disforme massa dominada dos grupos dominadores. Se não necessariamente libertar, pelo menos abrir chance ou possiblidade de ciar ou gerar autonomia de pensamento e conclusões. A arte, que se enquadra na cultura, juntamente com a música e outros movimentos, foi também dominada, suprimida, condicionada e igualmente sufocada pelos donos do poder.
Em época existia diversos grupos teatrais, movimentos culturais que tinham seu espaço e igualmente sua valorização. Com o passar do tempo, este espaço vai sendo progressivamente reduzido, a população tende a não sentir falta, pois não percebe e não se dá conta de que isto lhe está sendo tirado e aceita a tudo isso pacificamente, inclusive, parando de acompanhar o que engloba a cultura local, não entendo e nem compreendendo mais o conceito de arte, o que a compõe e seus seguimentos, logo, se tendo ou não, não faz e nem fará diferença alguma, porque estará sendo alimentado por algo a estes oferecido como arte, que, pouco ou nada possa representar da arte em si. Esta, quando de fato exposta ou apresentada, em míseras exposições, beirando a inexistência de divulgação, que costuma correr só mesmo em limitado círculo, no qual uns a falarem para outros e assim sucessivamente, o que as faz passar quase sempre despercebidas.
Eis uma simples pincelada, nada mais que isso, a fins de mostrar que, numa cidade que ao invés de progredir no tempo-espaço, parece parada ou regredir, já que, na década de 1920, a dominação oligárquica é contestada por diversos grupos, enquanto por aqui, o certo é que a raiz coronelista da urbe não parece ser sequer questionada, menos ainda abalada e aparentemente não há a mínima evidência de que esta algum dia o poderá ser, o que é, no mínimo deplorável.

julianø 05/06/2018 8:02


[1] Marechal Deodoro da Fonseca (05-08/1827, Marechal Deodoro, Alagoas – 23/08/1892 Barra Mansa, Rio de Janeiro).
[2] Floriano Vieira Peixoto (30/04/1839, Maceió, Alagoas – 29/06/1895, Barra Mansa, Rio de Janeiro).
[3] Prudente José de Moraes Barros (04/10/1841, Itu, São Paulo – 03/12/1902, Piracicaba, São Paulo).
[4] Washington Luís Pereira de Sousa (26/10/1869, Macaé, Rio de Janeiro – 04/08/1957, São Paulo, São Paulo).
[5] Ocorreu entre 1912 e 1916.
[6] Cangaço é uma forma de banditismo social que tem traços no século XVIII e no final do século XIX; Lampião adentrou no mesmo alegando vingança, jovem ainda, até ser morto em 1938.
[7] Em 1922.
[8] 1924.
[9] 1922.
[10] Tornado ilegal em 1925.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Idade da razão



Recentemente, lendo a Idade da Razão, obra literária de Sartre[1], o fazia em local de trabalho, em meio a atendimento de clientes e demais afazeres, ao que chega um amigo e, ao observar o título do livro, impresso em dourada cor na capa cura vermelha do exemplar, me pergunta de maneira provocativa: “e pra você, juliano, qual a idade da razão?
É uma pergunta que, não tão fácil de chegarmos à satisfatória resposta, sejamos sensatos, mas que tentemos, ao menos. Para tanto, façamos uma abordagem, ampla, com intenção de ser em contexto geral – mesmo não sendo nada fácil.
Num primeiro momento, razão, que pode vir do grego, lógos, com o sentido de argumentação, discussão, ou seja, é aquilo que podemos encontrar através das citadas discussões (em termos de conversa, diálogo) e/ou argumentação. Do latim a etimologia da palavra, de acordo com a Wikipédia é rationem, que significa cálculo, conta, medida, regra, derivado de ratio, particípio passado de reor, ou seja, determino, estabeleço, e, portanto, julgo, estimo. É a faculdade do homem de julgar, a faculdade de raciocinar, compreender, ponderar.
Tales de Mileto
Palavra muito usada, principalmente a partir do advento da filosofia grega, com Tales[2], da cidade-Estado de Mileto, no século VII a.C. que, insatisfeito com o sistema de justificativas da época, embasado nos deuses, como se os fenômenos e tudo o que acontecesse, se fariam por vontade dos deuses e, assim sendo, novos deuses e explicações eram criados, com o passar do tempo. Cada povo e região tinham seus deuses. O difícil deslocamento era motivo pelo qual as pessoas costumavam se enraizar na cidade e região que nasciam, dificultando de conhecer os deuses e as explicações de outros povos e/ou regiões.
Protágoras de Abdera
Aos que se deslocavam, que era o caso dos sofistas, conheciam variados costumes, povos e deuses, centravam os conhecimentos nos homens, o que é claramente expresso em “o homem é a medida de todas as coisas”, emblemática frase de Protágoras de Abdera[3].
Não conhecendo ou pouco conhecendo de outros deuses e justificativas, os gregos demoraram um pouco mais a questionar suas existências. Sendo os deuses algo do nível de causa primordial, foi também o que projetou os primeiros filósofos a buscar, não pela crença, mas pelo saber, o elemento que originava os demais, ou substância primordial que alguns defendiam como água, fogo, os números, o indeterminado e afins, de acordo com sua escola – cada qual situada numa cidade-Estado diferente.
Ao buscar as causas primordiais, as explicações divinas foram questionadas, mas não deixadas de lado, como se é sabido. A razão ganha importância pelos questionamentos e conhecimento alcançados pelas pessoas e trazido ao nível compreensão humana.
Com o declínio da Grécia Clássica, a razão foi deixada de lado, se aplicando, durante certo tempo, à filosofia de vida, expansões territoriais por via militar e interesses religiosos.
Descartes
É retomada séculos depois com a navegação, Estados nacionais, colonialismo e expansão comercial, e, destacável, com a busca dos sabes. A princípio, matemática, principalmente e com grande fundamentação naquela que se torna ciência no século XVIII, mas forte na antiga Grécia, que é a Física (physis no grego), de Kepler[4], Copérnico[5] e Galileu[6], que dá o ar da graça igualmente na filosofia de Descartes[7], grande ícone do racionalismo, que busca fundamentar método na razão.
Método é o caminho pra se chegar aos sabes, e, para o matemático e filósofo francês, a razão é o ponto principal porque através do método científico racional compreendemos e explicamos todo o processo de conhecimento.
Sir. Isaac Newton
O racionalismo é questionado por Francis Bacon[8] e John Locke[9], assim como David Hume[10], que exemplifica que, sendo o homem dotado de razão, colocado diante uma mesa de bilhar, uma bola, ao se chocar contra outra e tirar outras da inércia, verá isso como um milagre. Em contrapartida, partindo da experiência, saberá que uma bola em movimento, ao se chocar contra outra(s) fará com que saiam da estática. Hume se inspira muito no filósofo e físico Isaac Newton[11]. Nesta justifica, parte das duas primeiras das três leis da física de Newton – desenvolvida, antes de tudo por questionamentos e análises filosóficas.
Sei que pode estar sendo chata e enfadonha toda esta exposição de fatos feita até agora, mas certamente compreenderão que toda esta elucubração, tem os seus porquês.
A começar que, não há como negar o quanto somos presos ao tempo cronológico. Vivemos tanto em função dele que parecemos escravos do mesmo, haja vista nossos horários (de estudar, trabalhar, almoçar, tomar banho, sair e tudo o mais). Parecemos ter vida um tanto quanto cronometrada, por isso tão chata, maçante, repetitiva e monótona. Igualmente por isso tão cronológica.
Reforça ainda mais o dito acima que, a separação, na escola, se dá por idade, assim também como as fases da vida, de começar a trabalhar, do alistamento militar, as festas de 15 anos, de se casar, ter filhos, comprar carro e casa e até mesmo de se graduar.
Estudamos em Sociologia, as gerações X, Y, Z e etc., mas não há como negar que isso não é caso geral, que não se aplica em todos os casos, mas sim de determinado percentual ou grupo, com conclusões tiradas em análises grupais, como as dos tipos ideias de Weber[12] e não da subjetividade, muito trabalhada por este sociólogo.
Hume, no século XVIII nos traz tanto pontos positivos quanto negativos, tanto do racionalismo (razão) quanto do empirismo (experiência), e, mais importante: que o conhecimento verdadeiro, buscado desde Descartes com o método no século XVI, não pode ser alcançado nem pela razão e nem pela experiência.
A questão é atenuada posteriormente com Kant[13] que, une racionalismo e empirismo no criticismo ou apriorística kantiana.
Deste filósofo, alemão, confesso ter fortes divergências, assim como pontos de concordância. Entre estes, um texto que gosto muito, pra mim o favorito dele, que é “o que é o esclarecimento?”.
Quando falamos de razão, podemos nos referir diretamente ao fundamentado, comprovado e sistematizado; ao simplesmente racional, enquanto capacidade ou potencial humano; ou então aos motivos ou razões que sustentam (ou que as pessoas dizem sustentar) aquilo que dizem, falam, acreditam e defendem, o que forma conceito um tanto quanto difuso ou confuso.
Importante esta explanação e anteriores porque, podemos observar que cada pessoa tem seu tempo – que não é o cronológico – e também suas razões (não sendo tão importante que tipo de razão seja), logo, há quem se desenvolva rápido, estagnando depois; outras que demoram a evoluir e não param; outras mais que progridem e regridem posteriormente como casos dentre os muito mais existentes.
Falamos muito em maturidade, que é expressa no sentido de discernimento. É ponto ao qual o texto de Kant ganha grande importância, pois para este, o esclarecimento é um estágio de maturidade, não física, mas sim intelectual que pode ser alcançado por uma pessoa. Para o filósofo alemão, é justamente o discernimento que gera o esclarecimento e eleva as pessoas da minoridade à maioridade, isso, não de idade, mas sim intelectual, representada, reforço, pelo discernimento, ou seja, nível e uso da razão. Razão enquanto método, sistematizado, de fundamentar atos, gostos, opiniões, conhecimentos, crenças e afins de uma pessoa.
Observável e facilmente comprovável que esta linha da minoridade pra maioridade intelectual não é linear e que nem mesmo tem idade certa pra tanto. Inúmeros adolescentes esclarecidos e bem direcionados. Em contrapartida, um sem fim de adultos que são piores que criança.
Fenômeno cada vez mais presente em nossa sociedade é de pessoas que, depois de separadas, parecem querer realizar suas fantasias da adolescência e agem como pré-adolescentes. Em época, mentalidade do casamento era “até que a morte os separe”, o que os tornavam (ou forçavam) a serem mais duradouros. De tempo pra cá, virou “se não der certo separa”; desta maneira, a união já começa errada e terá dificuldades muito maiores para se solidificar.
Pra piorar a situação, nestes casos, a separação soa com ares de liberdade, praticamente em literal sentido de inconsequência e promiscuidade, como vemos coroas em carros tunados, bem polidos, sonzera da hora e a estourar os ouvidos dos demais; curtição em bares, boates e baladas, vezes muitas, daqueles mesmos que em época, nos cobrava responsabilidade.
Reflexos disso são graves, pois nos coloca diante safra de filhos criados pelo mundo, com pais raras vezes presentes, que podem querer e tentar ensinar, mas em nunca aplicar o ensinado. Formam uma geração carente, órfã de valores e paradoxos, o que, no mínimo, é catastrófico a nível social.
Encerro o texto depois de tentar fazer profunda análise em termos de razão e idade pra tal. Sei que não chegamos a uma conclusão concreta, enfim, mas deixando claro que isso pode não possível justamente por quão subjetivo é. O uso de Idade razão, a princípio como título de obra de Sartre[14], no qual o francês mensura sobre a liberdade, que, para este, em suas obras, defende só ser possível realizada por pessoas que tem responsabilidade suficiente para arcar com as consequências de seus atos. O título deste livro, com viés de provocação, abordado como tema a ser discorrido nas linhas que estão prestes a se encerrar. Por fim, lembremo-nos e estejamos atentos que, não importa idade, cargo que ocupe ou coisas que outrora possa ter realizado ou conquistado: nada disso comprova que você, hoje, seja um indivíduo esclarecido e nem que esteja a desfrutar da sua idade da razão, o que, direta ou indiretamente pode não nos colocar como melhor ou acima dos demais pelas roupas que vestimos, conquistas realizadas, carro que andamos, bens materiais adquiridos e acumulados, etc.

julianø 25/05/2018 15:36


[1] L'âge de raison, título original, em francês, publicado em 1945.
[2] Nascido, estima-se que em 623 ou 624 a.C e faleceu entre 556 e 558 a.C.
[3] Nascido em 481 a.C. em Protágoras e faleceu em 411 a.C., em Mileto.
[4] Johannes Kepler (27/12/1571, Weil der Stadt – 15/11/1630, Ratisbona, Baviera, Alemanha), considerado o pai da astronomia moderna, comprovou que a sol era o centro do universo, não a Terra, e, que os planetas realizam órbitas elípticas (e não circulares) em torno do astro-rei.
[5] Nicolau Copérnico (19/02/1473, Toruń – 21/05/1543), polonês, também considerado pai da astronomia moderna, deu pontapé inicial para o heliocentrismo, tese na qual a Terra e demais planetas giram em torno do sol. Igualmente deduziu que a Terra gira em torno do próprio eixo.
[6] Galileu Galilei (15/05/1564, Pisa – 08/01/1642, Arcetri, Florença, Itália), é considerado um dos fundadores do método experimental e da ciência moderna, contribuindo com estudos referentes ao movimento dos corpos e cinemática. Aperfeiçoou a luneta e, assim, fez suas principais observaç~eos celestes, o que o levou a defender o heliocentrismo de Copérnico e lhe causou problemas com a Igreja que o obrigou a negar suas ideias.
[7] Filósofo e matemático francês (31/03/1596, La Haye en Touraine, França – 11/02/1650, Estocolmo, Suécia)
[8] Político e filósofo inglês (22/01/1561, Strand, Londres – 09/04/1626, Highgate, Londres).
[9] Filósofo inglês (29/08/1632, Wrington – 28/10/1704, High Laver), considerado o pai do iluminismo.
[10] Filósofo, ensaísta e historiador escocês (07/05/1711 – 25/08/1776, Edimburgo)
[11] Filósofo, cientista e físico inglês (04/01/1643, Woolsthorpe Manor – 31/03/1727, Kensinton, Londres).
[12] Intelectual, jurista, economista e sociólogo alemão (21/04/1864, Erfurt – 14/06/1920, Munique, Alemanha).
[13] Immanuel Kant (22/04/1724 – 12/02/1804, Königsberg, Prússia).
[14] Jean-Paul Sartre, filósofo, escritor e ensaísta francês (21/06/1905 – 15/04/1980, Paris).

terça-feira, 22 de maio de 2018

Poder disciplinar e biopoder: o outro lado da moeda



Em semanas anteriores, foram publicados textos embasados nas tecnologias de poder, trabalhadas por Michel Foucault que, como vimos, é o poder de soberania e disciplinar e o biopoder. No texto de hoje, volto ao poder disciplinar e biopoder, mas no cara ou coroa da situação, sabemos que cara nos traz uma representação, uma cornucópia, e não as coisas à claro como gostaríamos. Assim sendo, no escrito que segue abaixo, não tenciono, igualmente, expor a coroa simplesmente, mas, se possível, a oculta ferrugem da coroa.
Texto da semana passada que termina com o parágrafo que segue abaixo e que será também o pontapé inicial do de hoje – e como podemos facilmente perceber, os textos estão em sequência, quebrados, mas um é a sequência do outro.
Desejo-lhe ótima leitura, meu/minha tão amado(a) leitor(a).

Fato é que o cidadão vive permanentemente controlado, e os poderes que exercem este “controle” são os mesmos que garantem segurança e bem-estar.
Garante? É a questão que fica no ar, pois, certo que a disciplina ordena e regulamenta a vida por um lado, mas nesta de horários e afins, o próprio padrão de “jornada” causa embaraços e caos social. Os horários de pico são o grande reflexo disso. Facilita muito a padronização de dias e horários comerciais, de aulas, porém, a bagunça se instaura quando a hora de considerável parte sair é a mesma, assim também como a de almoçarem, voltarem pra casa, jantarem e irem estudar, o que torna alto o fluxo de pessoas e veículos, trânsito lento, vias sobrecarregadas, lento deslocamento e desgaste um tanto quanto desnecessário, além do estresse que se faz mais facilmente presente.
Em se tratando de “bem-estar”, vamos à previdência e saúde pública. A primeira, no Brasil, prestes a sofrer duro golpe com uma reforma, no mínimo insana, que, infelizmente, atingirá prioritariamente aos trabalhadores, que acabam por compor, principalmente, as classes mais baixas. Ironicamente, políticos, juízes e militares, alguns dentre os historicamente mais bem favorecidos, não serão afetados por esta reforma que, a primeiro momento, não alcançou a aprovação esperada no Parlamento, mas que a alcançará, ainda que diante (nova) compra do Congresso e que a população não dará a mínima, pois os articuladores desta catástrofe não são e nem estão ligados ao partido ou posição política claramente e descaradamente criminalizados no país. Logo, acabarão com mais este direito dos brasileiros e estes mesmos, nas eleições, continuarão a perpetuar seus legados na vida política.
Aplicado o que prevê a previdência, na reforma, amado(a) leitor(a), este que vos escreve se aposentaria integralmente só depois dos 73 anos de idade, e, num cálculo matemático já realizado, pegando o valor do desconto do INSS de um único mês, multiplicando por 12 (pra se chegar num valor anual) e novamente multiplicando, agora por 49 (quantidade de anos de trabalho/contribuição pra e poder aposentar com salário integral), cheguei num valor que, dividindo por 954 (valor, em reais, do salário mínimo atual), teria de receber um salário mínimo, sem defasagem, por quase 11 anos pra restituir os descontos e contribuições.
Pensem comigo: na melhor das hipóteses, aposentadoria viria aos 73 anos e, pra valer a pena, teria de viver até os 84. Não escondo de ninguém que não consigo me ver nem com 40 de idade, imagina mais que o dobro disso... Outra: há inúmeras regiões do país que a expectativa de vida está abaixo dos 60, 65 anos previstos atualmente no sistema previdenciário.
Pra agravar ainda mais a situação, que me diriam de motoristas de veículos pesados, bitrens, por exemplo, com mais de 60 anos de idade? Conseguem imaginar? E aceitar? Lembrando que, a partir de 70 anos idade, renovar carteira é já grandiosíssimo problema, por o tanto que dificultam.
E mestre de obras com mais de 60 ou 70 anos? Professores a caminho da sala de aula, se deslocando em cadeiras de roda, devido às limitações físicas adquiridas com o peso da idade, visão comprometida e audição também, o que não acaba por ser devidamente compensado nem por óculos e aparelhos auditivos. Vovós pedagogas... isso faz sentido pra você?
Vamos à saúde pública: infinitamente criticada por um sem fim de motivos, sabemos que a máquina pública, o Estado brasileiro é ineficiente e não faz questão alguma de esconder isso. É bom lembrar que, há hospitais públicos de estrutura e maquinário invejável (como o próprio do caso do tão criticado HRAD[1], em Patos de Minas), os médicos que atendem em hospitais públicos, também atendem em particulares, enfermeiros que trabalham em hospitais públicos igualmente trabalham nos particulares, e, a estrutura e maquinário, como dito anteriormente, em casos, nada ficam devendo e há casos que superam, inclusive, os da rede particular.
Em meio a esta situação, onde está ou estaria o problema? Por o já dito e comprovado, não deveria existir, porém, acabamos por sucumbir diante péssimas gerências, de cargos diretamente indicados pelo governo e o descompromisso de muitos que os exercem na rede pública. Há casos em que horários não são devidamente cumpridos, os necessários exames não são pedidos nem analisados, pacientes que não são atendidos com a seriedade que se deveria. É certo que o trabalho chega a ser desumano, haja vista a quantidade de indivíduos a se atender, mas a população muito peca também porque, qualquer gripe, dor de cabeça e acordar num mal dia, para muitos, é motivo suficiente para procurar atendimento hospitalar.
Não escondo de ninguém que, das (muitas) vezes que precisei, seja na UPA[2] ou HRAD, fui bem atendido, bem examinado, tratamento e recomendações precisas, logo, nada teria a reclamar, nem de um nem de outro, mas não dá pra negar a eficiência, pois há muitos casos de pessoas atendidas e examinadas por residentes, sem a devida e recomendada presença do médico a acompanhar o estagiário.
Outro ponto que chama a atenção é o já citado “controle populacional”. De tendência cética, não sou muito de acreditar em coincidências: surtos de AIDS e ebola na África, por exemplo, são meras “coincidências”? Não acho. Assim como antídotos são criados em laboratório, doenças também o podem ser: caímos, assim, em ponto que será melhor apresentado, mas creio eu que, com certeza, há doenças hoje tidas “sem cura” com remédios guardados a sete chaves em laboratórios, pois “administrar” uma doença é muito mais rentável, gira muito mais dinheiro que curá-la.
Caso da AIDS mesmo lembro que o Brasil chegou a ganhar grande destaque, em época, por campanha feita visando preveni-la. Hoje, sei que temos um considerável percentual de soropositivos em Patos de Minas e não há campanha alguma e raríssimos falam sobre isso, e, em ocasiões isoladas.
Na era do “consumo, logo existo” questiono muito as benesses que medicamentos nos trazem ou podem trazer. Pra começar, são vendidos hoje em farmácias, também chamadas de “drogarias”, ou seja, lugar que vende drogas. Pra não confundir, que fique claro que drogas não só o cigarro, maconha, cocaína, bebida alcoólica e outros. Remédios também o são e, é sabido de todos que medicamentos têm seus efeitos colaterais: afetam os rins, depois o fígado (pode-se pensar “ah, aí não tem importância, porque o fígado regenera rápido”), se afeta fígado compromete também o pâncreas, e, com o passar do tempo, o estômago, pra fechar o sistema digestivo.
Ao afetar o estômago, impulsiona a produção de gases característicos, que produz marcante mau hálito e o sistema excretor, também comprometido, nos leva ao “velho não sabe segurar”, “velho não dá conta de segurar”.
Continuo crendo que muitas coisas foram já clareadas e um tanto quanto esclarecidas, mas é muito importante citar que, o consumo de fármacos – que para Aristóteles, da cura à morte, muda somente a dosagem – te leva ao vício e dependência destes, isto é, tem de largar aos poucos, não pode largar de uma vez, da mesma forma que ouvimos do cigarro, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas. Outro agravante é que males causados por efeitos colaterais de remédios te levam ao uso e consumo de outros, num ciclo sem fim, movimentando elevado montante neste setor que sustenta e enriquece infinitamente, a indústria farmacêutica – ou será que você pensou que este alto número de grandes farmácias que se abre e se multiplicam dia a dia eram mera coincidência? Sorte? Facilmente podemos comprovar que não.

julianø 11/05/2018


[1] Hospital Regional Antônio Dias
[2] Unidade de Pronto Atendimento